HISTÓRIA DO PIAUÍ

AS LUTAS
DE UM POVO

Uma viagem em conversas, paisagens e cenas pela história do Piauí.

PARQUE NACIONAL DE SETE CIDADES
CAPÍTULO 1

OS FENÍCIOS NO PIAUÍ

A viagem começa entre os paredões e formações rochosas de Sete Cidades, próximo a Piracuruca.

L
Olhando daqui, algumas dessas pedras parecem muralhas, casas e torres. Foi isso que provocou tanta discussão?
B
Foi. A grande pergunta era esta: Sete Cidades seria apenas uma formação natural ou poderia guardar vestígios de um antigo centro de povos tupis ligado aos fenícios?
Sete Cidades, na bacia do Parnaíba, próxima a Piracuruca.
— É daqui que começa uma das discussões mais curiosas sobre o passado piauiense.
Uma inscrição encontrada em Pouso Alto foi interpretada como escrita fenícia.
A interpretação descrevia navegadores saindo de Ezion-Geber, contornando a África e chegando, após um temporal, ao litoral brasileiro.
A
A tese de Ludovico Schwennhagen ia ainda mais longe: Piracuruca seria um centro administrativo e Sete Cidades, o centro político e religioso de uma confederação de sete povos tupis.
1ª CIDADE

Uma grande muralha de blocos de pedra, com 5 a 10 metros, envolvendo uma área retangular de aproximadamente 25 hectares.

2ª CIDADE

Casas, arcos, pequenas torres e uma avenida principal depois de um arvoredo.

3ª CIDADE

Um castelo administrativo com salão do Congresso, sede do governo e templo religioso.

4ª A 7ª

Ao sul, próximas da Serra Negra, em região descrita como fértil e abastecida por águas perenes.

TUTÓIA

Na tese apresentada, teria funcionado como entreposto ou estação marítima.

PEDRA DO SAL

Outro ponto marítimo relacionado à hipótese, no Delta do Parnaíba.

L
E “Piauí”?
B
Nessa interpretação, “Piagui” seria a terra dos piagas. Mas há uma explicação completamente diferente para as próprias pedras de Sete Cidades.

A OUTRA EXPLICAÇÃO

Sedimentos depositados na bacia do Parnaíba.
Transformação do material em rocha.
A erosão atuando durante aproximadamente 300 milhões de anos produziria as formas observadas hoje.
— Então as formas que lembram cidades podem ter sido esculpidas pela própria natureza.
A questão permanece como discussão histórica. Novas descobertas arqueológicas e paleontológicas podem acrescentar elementos à compreensão da origem de Sete Cidades.
MARGENS DO RIO PARNAÍBA
CAPÍTULO 2

ÍNDIOS NO SOLO PIAUIENSE

Agora a conversa acompanha os rios. O território aparece ocupado e percorrido por muitos povos indígenas.

A
Não dá para imaginar esses povos parados num único ponto do mapa. Eles se deslocavam em busca de alimentos e também por causa das guerras.
L
Por isso é difícil determinar com precisão onde cada grupo estava em cada momento. Um povo localizado no médio Parnaíba poderia depois aparecer na região do rio do Sono, em Goiás.
BAIXO PARNAÍBA / DELTA

Tremembés.

ALTO PARNAÍBA

Aroaquizes, Carapotangas, Aroquanguiras, Copequacas, Cupicheres, Aranhezes, Aitatus e Corerás.

MÉDIO PARNAÍBA

Abetiras, Beirtás, Coarás e Nongazes.

GURGUÉIA

Acoroás, Rodeleiros, Beiçudos, Bocoreimas, Corsiás e Lanceiros.

POTI

Putís na foz; Aranhins e Crateús nas cabeceiras.

REGIÃO CENTRAL

Gueguês.

CANINDÉ

Cupinharós.

URUÇUÍ

Precatizes.

LIMITES COM PERNAMBUCO

Pimenteiras.

Rios, serras e vales eram caminhos de deslocamento, alimentação, contato e conflito.

AMOIPIRÁS E OUTROS POVOS

Os Amoipirás são apresentados como descendentes dos Tupinambás do litoral baiano. Depois de guerras com os Tupinaês, avançaram para o sertão sob a liderança de Amoipirá, estabeleceram-se na margem oriental do São Francisco e seguiram para o norte.

Pescavam utilizando espinhos e arcos.
Pintavam o corpo com jenipapo e enfrentaram os Ubirajaras durante determinado período.

DOMINGOS JORGE VELHO

B
Por volta de 1662 surge Domingos Jorge Velho. O caminho exato de sua entrada no Piauí não ficou documentalmente definido.
A
Como aparecem referências ao Poti e ao Parnaíba, uma possibilidade é que tenha atravessado a depressão da Serra Grande e seguido caminhos indígenas junto ao Poti.
c. 1662

Entrada atribuída a Domingos Jorge Velho no território piauiense.

24–25 anos

Documentos citados relacionam seus homens a moradias, criação e lavouras nas regiões do Poti e do Parnaíba.

1687

Segue para a guerra de Palmares com grande contingente, incluindo indígenas flecheiros.

1694

Uma carta atribuída ao bandeirante menciona “Piaguí” e indígenas Aroazes e Cupinharós.

A presença de Domingos Jorge Velho no Piauí é apresentada em meio a documentos conflitantes. Há argumentos contrários e favoráveis à longa permanência atribuída a ele.

AS GUERRAS DA CONQUISTA

1675

Conflitos dos Gueguês com currais de gado nas proximidades do São Francisco.

1676

Depois da rendição de parte do grupo, ocorre a matança de aproximadamente quinhentos homens e a escravização de mulheres e filhas.

1679

Uma expedição comandada por Vital Maciel Parente ataca os Tremembés. De uma comunidade de mais de trezentas pessoas, apenas 37 sobreviventes são mencionados.

1701

Nova expedição é organizada contra os Tremembés.

1712–1713

O grande levante indígena do norte ganha força sob a liderança de Mandu Ladino.

1722–1726

Seguem-se rendições e aldeamentos de Tremembés, Cupinharós, Aruazes e outros grupos.

RIO PARNAÍBA
CAPÍTULO 3

MANDU LADINO

Resistência indígena, guerrilhas e uma perseguição que atravessou as duas margens do Parnaíba.

Século XVII. Exploradores, jesuítas, bandeirantes, sertanistas e criadores avançam pelo sertão.
L
O chamado “Certão do Piauguhy” foi penetrado mais intensamente um século depois do início da colonização portuguesa do Brasil.
B
Os vales do Parnaíba, Gurguéia, Canindé, Poti, Longa, Itaueira e Piauí possuíam numerosas populações indígenas. O avanço colonial trouxe guerra, captura e perda de terras.
Mandu Ladino havia sido educado por jesuítas. Organizou grupos rebelados em guerrilhas.
Fazendas e engenhos nas duas margens do Parnaíba tornaram-se alvos das ações indígenas.
Depois da derrota das forças confederadas, Mandu Ladino foi perseguido e morreu tentando atravessar o rio Parnaíba.
SERTÃO COLONIAL
CAPÍTULO 4

A ESCRAVIDÃO NA SOCIEDADE COLONIAL DO PIAUÍ

A
Durante muito tempo existiu a ideia de que uma economia pecuarista e distante das grandes zonas exportadoras teria pouca ou nenhuma escravidão.
B
Mas a escravidão também fez parte da formação colonial piauiense. Os desbravadores trouxeram gado, práticas coloniais e pessoas escravizadas.
Pecuária e lavouras de subsistência.
Gado comercializado para outras regiões e mercados.
O avanço colonial também submeteu indígenas: captura, trabalho nas lavouras, participação forçada em contingentes militares, aldeamento e comércio para outras capitanias.
PARNAÍBA • CAMPO MAIOR • OEIRAS
CAPÍTULO 5

INDEPENDÊNCIA E BATALHA DO JENIPAPO

1822–1823. O conflito chega às vilas piauienses.

19 OUT 1822

Na Vila de São João da Parnaíba é proclamada a adesão à Independência.

OEIRAS

A disputa pelo controle político da província se intensifica.

PARNAÍBA

Fidié entra na vila enquanto forças cearenses auxiliam os revoltosos.

13 MAR 1823

O confronto campal ocorre em Campo Maior, às margens do Jenipapo.

Campo Maior. Piauienses enfrentam as tropas de Fidié.
— A derrota no campo de batalha não encerrou a luta.
Fidié desvia seu percurso e segue para Estanhado, atual União.
Sem apoio suficiente, segue para Caxias, no Maranhão.
L
Em Caxias, Fidié enfrentou forças piauienses e cearenses até capitular em 31 de julho de 1823. Depois seguiu para Oeiras como prisioneiro de guerra antes de retornar a Portugal.
OEIRAS • CAMPO MAIOR • PARNAÍBA
CAPÍTULO 6

CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR

B
A Independência não resolveu todos os conflitos. O Nordeste enfrentava crise econômica, escassez, impostos elevados e disputas sobre o poder do imperador.
1823

A Assembleia Constituinte tenta limitar o poder imperial. D. Pedro I dissolve a Constituinte.

1824

A nova Constituição amplia o poder imperial através do Poder Moderador.

2 JUL 1824

A Confederação do Equador é oficializada no Recife.

A
No Piauí, a adesão foi limitada. Campo Maior e Parnaíba aparecem como os principais pontos de resistência ao juramento da Constituição de 1824.
Oeiras acompanha com preocupação a expansão das ideias republicanas vindas do Ceará.
Depois da repressão imperial, líderes do movimento no Piauí são presos.
PARNAÍBA • PIRACURUCA • CAMPO MAIOR • JERUMENHA • PARNAGUÁ
CAPÍTULO 7

A BALAIADA NO PIAUÍ

L
A Balaiada não ficou restrita ao Maranhão. O movimento alcançou grande parte do Piauí.
B
Escravizados, vaqueiros, artesãos, homens livres pobres e até proprietários participaram ou apoiaram a luta contra o autoritarismo político.
PARNAÍBA

Área atingida pelo movimento.

PIRACURUCA

Participação e circulação de revoltosos.

CAMPO MAIOR

Uma das regiões envolvidas.

JERUMENHA

Conflitos alcançam o interior.

PARNAGUÁ

O movimento chega ao sul.

CAXIAS

Centro decisivo da repressão no Maranhão.

1838

O movimento se expande em meio à crise social, econômica e política do período regencial.

RECRUTAMENTO FORÇADO

Uma das medidas que ampliaram a insatisfação popular.

“LEI DOS PREFEITOS”

Outro elemento associado ao caráter coercitivo da administração.

1840–1841

Com forte repressão, cerco militar e anistia, milhares de balaios se rendem. Cosme Bento é preso e enforcado; Raimundo Gomes é exilado e morre no caminho.

TERESINA • JAICÓS • RIO DE JANEIRO
CAPÍTULO 8

O PIAUÍ NA GUERRA DO PARAGUAI

O Piauí participa do esforço de guerra com recrutamento e Corpos de Voluntários da Pátria.

JOVITA ALVES FEITOSA

A
Jovita percorreu cerca de 72 léguas de caminhos difíceis até Teresina para pedir alistamento como voluntária.
B
O governo piauiense aceitou seu engajamento e ela seguiu com o 2º Corpo de Voluntários, recebendo homenagens durante a viagem.
Jovita segue para Teresina.
A viagem prossegue no navio Gurupi.
No Rio de Janeiro, não recebeu autorização para seguir como soldado. A possibilidade oferecida foi a de vivandeira. Decepcionada, voltou. Mais tarde regressou ao Rio de Janeiro, onde morreu em 14 de novembro de 1865.
TERESINA • 1863
CAPÍTULO 9

QUESTÃO CHRISTIE

1861

O navio mercante britânico Prince of Wales naufraga no Rio Grande do Sul e sua carga é roubada.

CRISE DIPLOMÁTICA

William Douglas Christie apresenta exigências ao governo imperial. Depois, embarcações brasileiras são apreendidas por ordem britânica.

ROMPIMENTO

Depois de arbitragem internacional e novas exigências diplomáticas, Brasil e Inglaterra rompem relações.

24 de fevereiro de 1863. Uma multidão reúne-se diante da Matriz de Nossa Senhora do Amparo, em Teresina.
— A crise que começou longe daqui também levou os teresinenses às ruas.

Duas bandas de música conduziram a passeata. Discursos foram feitos diante do Palácio. Houve oferecimento de voluntários e arrecadação de recursos. A Companhia de Navegação do Parnaíba abriu subscrição popular; funcionários públicos e militares contribuíram financeiramente.

PIAUÍ • 1877–1880
CAPÍTULO 10

A SECA DE 1877

Estradas tomadas por retirantes. Reservas de água diminuindo. Fazendas de gado desaparecendo.
L
No início ainda se imaginava que a situação estivesse sendo exagerada. Depois ficou claro que era uma calamidade.
1877

Milhares de retirantes cearenses entram no Piauí pelas regiões de Ipu e Serra do Araripe.

NÚCLEOS

O governo cria “núcleos de emigrantes”, utilizando trabalho dos que tinham condições físicas e oferecendo alimentação, roupas e remédios aos impossibilitados.

1878

As despesas mensais com assistência ultrapassam 57 contos. Em Teresina funcionam nove núcleos no município e comissões especiais na cidade.

1880

Depois do retorno das chuvas, o aparato assistencial é desmontado. Em maio é determinada a cessação das despesas de socorro aos retirantes.

TERESINA • 1889
CAPÍTULO 11

POLÍTICA PIAUIENSE E REPÚBLICA BRASILEIRA

15 de novembro de 1889. O Teatro Concórdia estava cheio quando chegou por telégrafo a notícia da mudança política ocorrida no Rio de Janeiro.
A
A propaganda republicana já circulava no Piauí havia anos. David Caldas publicara O Amigo do Povo e depois Oitenta e Nove.
B
Liberais reuniam-se em torno de A Imprensa; conservadores, de A Época. A década de 1880 foi marcada por grande instabilidade administrativa.
DÉCADA DE 1880

Dezessete governantes passam pelo governo provincial.

1870 EM DIANTE

Amplia-se a propaganda republicana.

17 NOV 1889

O governo provisório no Piauí formaliza a adesão à República.

TERESINA • SUL DO BRASIL • CANUDOS
CAPÍTULO 12

35º BATALHÃO DE INFANTARIA

CAMPANHA FEDERALISTA

O 35º Batalhão combate durante a Campanha Federalista.
Em abril de 1894 participa da defesa do porto da cidade do Rio Grande.
1894

O batalhão participa de duros combates no Sul.

1896

Retorna a Teresina e recebe grande recepção popular.

LOGO DEPOIS

É novamente mobilizado, desta vez para a Campanha de Canudos.

CANUDOS

Depois das derrotas das primeiras expedições enviadas contra Canudos, novas forças são mobilizadas.

O 35º participou dos combates e sofreu pesadas perdas, agravadas também por doenças, inclusive varíola. Em 10 de outubro participou de seu último combate na campanha.

L
Dos 498 homens que haviam partido, apenas 160 estavam presentes na formação realizada diante da Igreja do Amparo depois do retorno.
21 OUT

Chegada a Teresina e recepção pelas autoridades e pela população.

23 OUT

Missa de Ação de Graças no adro da Matriz do Amparo.

JAN 1900

O 35º é transferido para São Luís e não retorna mais a Teresina.

PIAUÍ • PRIMEIRA REPÚBLICA
CAPÍTULO 13

PIAUÍ — PRIMEIRA REPÚBLICA

B
A base econômica continuava ligada ao latifúndio e à pecuária extensiva, mas uma nova atividade ganhou força: a extração da borracha de maniçoba.
A
Quando a Primeira Guerra Mundial provocou crise econômica, também aumentaram as rupturas entre grupos políticos piauienses.
PRIMEIRA REPÚBLICA

Latifúndio, pecuária extensiva e expansão do extrativismo da maniçoba.

I GUERRA MUNDIAL

A crise econômica repercute na política estadual e aprofunda divisões.

1929–1930

A crise internacional, as disputas presidenciais e a Aliança Liberal alteram o quadro político brasileiro.

A REVOLUÇÃO DE 1930 NO PIAUÍ

L
O movimento chegou quando o governo de João de Deus Pires Leal enfrentava forte crise econômico-financeira, estiagem, queda do comércio e baixa arrecadação.
PARTIDO DEMOCRÁTICO PIAUIENSE

Forma-se sob a direção de Leão Marinho, reunindo apoiadores da Aliança Liberal.

FAZENDA DOS NOIVOS

Atual região do São Cristóvão, em Teresina: funciona como Quartel-General revolucionário.

4 OUT 1930

O quartel da Polícia Militar é tomado de madrugada; depois ocorre a adesão no 25º BC.

MANHÃ DE 4 OUT

João de Deus Pires Leal encontra-se preso no quartel do 25º BC.

SERTÕES DO PIAUÍ
CAPÍTULO 14

A PASSAGEM DA COLUNA PRESTES NO PIAUÍ

Estradas, trilhas e sertões piauienses tornam-se parte da longa marcha da Coluna Prestes.
A
Agora a viagem chega às primeiras décadas do século XX. O Piauí passa a integrar o caminho percorrido pelos rebeldes tenentistas.
B
A passagem da Coluna colocou cidades, autoridades, tropas e populações do interior diante de um movimento armado que atravessava diferentes regiões do país.
Marchas pelo interior.
Cidades piauienses acompanham a aproximação da Coluna.
A passagem da Coluna Prestes encerra a sequência histórica principal desta edição.

AS LUTAS
DE UM POVO

Das formações de Sete Cidades aos conflitos indígenas; da sociedade colonial às lutas pela Independência; da Balaiada e da Guerra do Paraguai à República, Canudos, Revolução de 1930 e Coluna Prestes: uma longa viagem pela história do Piauí.